quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Nova Iguaçu discute a promoção da Igualdade Racial


O grupo Tambores de Anyê abriu a II Confêrencia Municipal de Igualdade Racial.

O coordenador da Coppir, Paulo Santana iniciou a conferência.

Mirian Stanescon, representou o Conselho Nacional de Igualdade Racial.



Movimentações culturais e políticas tornam dia mais comemorativo para os negros


Os iguaçuanos, militantes pela igualdade racial, tiveram motivos paracomemorar a noite de 27. O Centro Cultural Sylvio Monteiro virou opalco de integração racial, cultural e da busca pela igualdade dedireitos. Ocorreu a solenidade de posse da Coordenadoria de Políticasde Promoção à Igualdade Racial (Coppir), a renovação do termo deadesão ao fórum intergovernamental de promoção a igualdade Racial(FIPIR / SEPIR) e a inauguração do centro de referência de atençãointegral a pessoas com deficiência Falciforme.
Tudo isso unido a pessoas que lutam pela causa negra a décadas, taiscomo: Afoxé Maxabomba, Mãe Beata de Lemanjá; o Secretário da Coppir,Paulo Santana; Lindberg Farias; Ministro da Igualdade Racial, EdsonSantos; a atriz e militante, Zezé Motta; reitor da UNIG, Júlio Césarda Silva e Maria do Carmo. Todos esses tinham em comum a imensaalegria por ver uma luta de anos ser concretizada em frente a umauditório de cerca de 200 pessoas brancas, negras, mulatas, enfim, aetnia era o que menos importava.
Segundo o Secretário Paulo esse dia entrará para a história, pois sequebra um histórico de marginalização. “A importância deste momento sefaz na história, pois a questão da política de integração se tornoupauta, não só do PT, mas uma luta de todos”, disse ele, contando umpouco de seu histórico de discriminação sofridos na faculdade, ondeera o único aluno negro em meio a tantos alunos do curso de medicina.“Temos que fazer um recorte racial com políticas publicas para apopulação. Estou me colocando a implementar a lei 10.639, trabalhandocom a saúde como plataforma e fechando parcerias com os locais que tempolíticas públicas de igualdade racial”, afirma ele.
Assim como Paulo, o Ministro Edson Santos falou da lei 10.639 e fez umresgate histórico da participação do negro na criação da sociedadeindustrial. “Estamos vivendo, no meio do século a questão do direitohistoricamente não pensado pelo Estado. O Brasil não pode passar semtratar dessa questão. A questão racial não é consolidada, temos quever como responsabilidade do estado brasileiro”, fala energicamente oministro. Acrescentou ainda que é de extrema relevância que se tenhaum orgão de política de igualdade racial em todos os municípios e quetrabalhem de forma integrada, a fim de dialogar a forma de trabalho dapolítica. “Isso traz para a população a questão de promoção e issopossibilita que as questões pensadas em Brasília chegue até a ponta.Não adianta pensar em políticas sem ligar ao município”, explica eleemocionado.
Além do ministro, a atriz Zezé Motta se mostrou muito sensível e disseque neste encontro só viu ponto positivo. “Nova Iguaçu está deparabéns, fiquei emocionada com a inauguração do Centro médico e dever que os tempos mudaram e as pessoas se interessam, isso nos anima acontinuar a luta”, conta a sorridente Zezé em entrevista. Ela jámilita por cerca de 30 anos, mas, segundo ela, desde sempre esteve nomovimento. “Comecei tão cedo que não tinha um ideal e o que me faz bemé saber que não ficam de braços cruzados diante da desigualdade”,disse ela.
Anteriormente, segundo Zezé, o negro sofria mais descriminações namídia, pois só ocupava papeis onde estava a margem de alguem. “Devagarestá mudando, hoje na novela se encontra personagens negros.Conseguimos também a diversidade de papeis e isso é uma conquista”,explica ela, citou exemplos como o de Taís Araújo e dela própriaquando fez uma empresária. “Fico feliz por estar colhendo essesfrutos, nos fortalecendo para continuar a luta”, conclui ela.

O Coordenador da Coppir,Paulo Santana marcou presença em todos os grupos.


Trabalhos de grupos abordou diversos temas:
Educação, Saúde, Trabalho, Segurança e Cultura foram temas debatidos.

Coordenador da COPPIR-NI


Paulo Roberto Pereira de Sant’Ana, 56, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, morando lá até seus 12 anos de idade. Logo após veio para Nova Iguaçu, onde reside até hoje. Atualmente, Paulo comanda a Coppir (Coordenadoria de Políticas Publicas para Igualdade Racial), ele foi indicado pelo então Ministro da Secretaria Especial da República de Promoção de Política de Igualdade Racial (SEPPIR), Edson Santos.