
Os iguaçuanos, militantes pela igualdade racial, tiveram motivos paracomemorar a noite de 27. O Centro Cultural Sylvio Monteiro virou opalco de integração racial, cultural e da busca pela igualdade dedireitos. Ocorreu a solenidade de posse da Coordenadoria de Políticasde Promoção à Igualdade Racial (Coppir), a renovação do termo deadesão ao fórum intergovernamental de promoção a igualdade Racial(FIPIR / SEPIR) e a inauguração do centro de referência de atençãointegral a pessoas com deficiência Falciforme.
Tudo isso unido a pessoas que lutam pela causa negra a décadas, taiscomo: Afoxé Maxabomba, Mãe Beata de Lemanjá; o Secretário da Coppir,Paulo Santana; Lindberg Farias; Ministro da Igualdade Racial, EdsonSantos; a atriz e militante, Zezé Motta; reitor da UNIG, Júlio Césarda Silva e Maria do Carmo. Todos esses tinham em comum a imensaalegria por ver uma luta de anos ser concretizada em frente a umauditório de cerca de 200 pessoas brancas, negras, mulatas, enfim, aetnia era o que menos importava.
Segundo o Secretário Paulo esse dia entrará para a história, pois sequebra um histórico de marginalização. “A importância deste momento sefaz na história, pois a questão da política de integração se tornoupauta, não só do PT, mas uma luta de todos”, disse ele, contando umpouco de seu histórico de discriminação sofridos na faculdade, ondeera o único aluno negro em meio a tantos alunos do curso de medicina.“Temos que fazer um recorte racial com políticas publicas para apopulação. Estou me colocando a implementar a lei 10.639, trabalhandocom a saúde como plataforma e fechando parcerias com os locais que tempolíticas públicas de igualdade racial”, afirma ele.
Assim como Paulo, o Ministro Edson Santos falou da lei 10.639 e fez umresgate histórico da participação do negro na criação da sociedadeindustrial. “Estamos vivendo, no meio do século a questão do direitohistoricamente não pensado pelo Estado. O Brasil não pode passar semtratar dessa questão. A questão racial não é consolidada, temos quever como responsabilidade do estado brasileiro”, fala energicamente oministro. Acrescentou ainda que é de extrema relevância que se tenhaum orgão de política de igualdade racial em todos os municípios e quetrabalhem de forma integrada, a fim de dialogar a forma de trabalho dapolítica. “Isso traz para a população a questão de promoção e issopossibilita que as questões pensadas em Brasília chegue até a ponta.Não adianta pensar em políticas sem ligar ao município”, explica eleemocionado.
Além do ministro, a atriz Zezé Motta se mostrou muito sensível e disseque neste encontro só viu ponto positivo. “Nova Iguaçu está deparabéns, fiquei emocionada com a inauguração do Centro médico e dever que os tempos mudaram e as pessoas se interessam, isso nos anima acontinuar a luta”, conta a sorridente Zezé em entrevista. Ela jámilita por cerca de 30 anos, mas, segundo ela, desde sempre esteve nomovimento. “Comecei tão cedo que não tinha um ideal e o que me faz bemé saber que não ficam de braços cruzados diante da desigualdade”,disse ela.
Anteriormente, segundo Zezé, o negro sofria mais descriminações namídia, pois só ocupava papeis onde estava a margem de alguem. “Devagarestá mudando, hoje na novela se encontra personagens negros.Conseguimos também a diversidade de papeis e isso é uma conquista”,explica ela, citou exemplos como o de Taís Araújo e dela própriaquando fez uma empresária. “Fico feliz por estar colhendo essesfrutos, nos fortalecendo para continuar a luta”, conclui ela.